Rio de Janeiro — A orla de Copacabana foi palco, na manhã deste domingo (19), de uma manifestação que reuniu centenas de condutores de veículos elétricos individuais — como scooters, bicicletas e equipamentos autopropelidos — em protesto contra o novo decreto da Prefeitura do Rio que regulamenta o uso desses meios de transporte na cidade.
O ato, realizado na Avenida Atlântica, evidenciou um conflito crescente entre diferentes visões sobre mobilidade urbana. De um lado, usuários e empresários do setor defendem regras mais flexíveis e alinhadas à legislação federal. De outro, o poder público municipal sustenta a necessidade de restrições com base na segurança viária.
O decreto municipal publicado neste mês equipara determinados veículos elétricos, especialmente aqueles com condução sentada, à categoria de ciclomotores. Com isso, passam a ser exigidos:
Além disso, esses veículos ficam impedidos de circular em ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas — medida que concentra boa parte das críticas dos manifestantes.
A regulamentação municipal difere da Resolução nº 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece distinções entre veículos autopropelidos e ciclomotores, permitindo, em determinadas condições, a circulação em estruturas cicloviárias.
O principal ponto de tensão está na interpretação das normas. Representantes do setor afirmam que o decreto municipal amplia as exigências além do previsto na regulamentação federal, criando insegurança jurídica e dificultando a operação de um segmento em expansão.
Para os usuários, o impacto é imediato. Ao serem direcionados para vias de tráfego mais intenso, esses veículos passam a disputar espaço com automóveis, aumentando a exposição a riscos.
Durante a manifestação, condutores destacaram que os veículos elétricos se tornaram ferramenta essencial de trabalho e deslocamento, especialmente entre entregadores e trabalhadores informais.
O custo mais baixo de aquisição e manutenção tem permitido o acesso à mobilidade individual a uma parcela significativa da população, inclusive em áreas com menor oferta de transporte público eficiente.
Empresários do setor também apontam possíveis reflexos na atividade econômica, com impacto sobre vendas, manutenção e serviços associados a esse mercado.
A administração municipal sustenta que a regulamentação busca reduzir acidentes e organizar o uso do espaço urbano diante do crescimento acelerado desses veículos.
A lógica adotada considera que equipamentos com maior capacidade de velocidade e autonomia devem obedecer a regras mais rígidas, similares às aplicadas a outros veículos motorizados.
O avanço dos veículos elétricos leves representa uma transformação relevante na mobilidade urbana. Entre os principais benefícios estão:
Ao mesmo tempo, o uso indiscriminado, sem parâmetros claros, tem gerado conflitos com pedestres e outros modais, especialmente em áreas de grande circulação.
O cenário exposto em Copacabana evidencia a necessidade de uma regulação equilibrada. Especialistas defendem a construção de regras que conciliem segurança, inovação e inclusão social.
Entre os caminhos possíveis estão a definição de limites de velocidade, a educação para o trânsito e a criação de categorias mais específicas para diferentes tipos de veículos elétricos.
A discussão segue aberta e deve ganhar novos capítulos, à medida que o uso desses modais continua a crescer nas grandes cidades brasileiras.